Online, numa rede chinesa, não. O Google encerrou seu serviço de tradução na China continental em 2022, e o bloqueio do país impede o acesso aos servidores. No wi-fi do hotel ou com chip chinês, o app não consegue consultá-los. Há duas exceções: o pacote offline, baixado antes da viagem, e o roaming, que encaminha o tráfego por uma rede fora da China continental.
Baixe chinês simplificado no Google Tradutor antes de sair. Com o pacote, a tradução de texto digitado e pela câmera funciona sem conexão. A própria ajuda do Google confirma que a câmera funciona offline para os idiomas baixados.
Viajar pela China exige criar uma nova identidade digital. Pedir comida, navegar, usar transporte e pagar sem dinheiro dependem de outro conjunto de apps.
Isso também expõe muitos dados pessoais a empresas chinesas de tecnologia, sem clareza sobre como serão usados.
Todo mundo procura primeiro a configuração de idioma. Parece que ela precisa estar em algum lugar, e dá para perder vinte minutos bem irritantes antes de aceitar: não existe. O Taobao é em chinês, só em chinês.
A confusão faz sentido. O AliExpress também é do Alibaba e está em inglês. Mas é outra loja, com outros vendedores, outros preços e outro público. Não é o Taobao com os rótulos trocados.
Você senta, procura o cardápio e não encontra. Só há um quadradinho plastificado com QR: esse é o sistema inteiro de pedidos. O garçom não está ignorando você. Essa parte simplesmente não passa por ele.
Use WeChat ou Alipay, não a câmera do celular. A câmera geralmente abre uma página no navegador que funciona pela metade e depois para. Você precisa do miniprograma, um app dentro de outro app, sem opção para trocar o idioma.
Durante anos, a resposta honesta para quem queria saber se conseguiria pagar pelas coisas na China como turista era: mais ou menos, leve dinheiro e boa sorte. Isso mudou há tão pouco tempo que muita orientação na internet ainda está desatualizada.
Alipay e WeChat Pay agora aceitam os principais cartões estrangeiros. Como quase todos os pagamentos do país passam por esses dois apps, essa mudança facilita muito a vida de quem chega de fora.
É um erro caro e frequente: você compra uma passagem de trem com saída de Pequim e vai à estação Pequim. Só que o trem sai de Pequim Sul, outro prédio do outro lado de uma cidade enorme. Agora você está num táxi, vendo o taxímetro subir e a hora da partida se aproximar.
As cidades chinesas não têm uma estação com várias entradas. Têm várias estações, chamadas Norte, Sul, Leste e Oeste. A direção no nome importa. Leia o nome na passagem e confira de novo na manhã da viagem.
Isso pode estragar sua noite: você chega, entrega o passaporte e a pessoa da recepção, constrangida, diz que não. Sem grosseria e sem espaço para negociação. O hotel não consegue fazer seu check-in.
Não é pessoal. Os hotéis precisam registrar todos os hóspedes na polícia, e muitos estabelecimentos menores ou mais antigos não têm estrutura para registrar um passaporte estrangeiro. Por isso não recebem estrangeiros. A reserva feita num site que não sabia disso acaba virando um problema seu.
Todo visitante estrangeiro na China precisa estar registrado no endereço onde dorme. Parece mais complicado do que é. Muita gente faz isso sem saber, porque entregar o passaporte na recepção do hotel já faz parte do registro.
Eles fotografam o passaporte, enviam os dados e você sobe para o quarto. É exatamente por isso que um hotel sem estrutura para registrar estrangeiros recusa o check-in: não é má vontade, é a impossibilidade de concluir a etapa que torna sua hospedagem regular.
Muita gente chega esperando uma internet lenta ou quebrada. Não é nada disso. Ela é muito rápida, tem ótima infraestrutura e está cheia de serviços que você nunca usou. Ao mesmo tempo, faltam várias coisas que você abre toda hora sem nem pensar.
O Google inteiro: Gmail, Maps, Drive e as funções online do Tradutor. Também Instagram, Facebook, X e WhatsApp.
Os apps de mapas chineses estão entre os melhores do mundo. Isso surpreende quem esperava precisar aceitar algo pior. Eles combinam metrô, ônibus, caminhada e táxi numa tela, conhecem o interior de shoppings e sabem qual saída da estação usar. O problema não é a qualidade: eles estão em chinês, e o mapa que você sempre usou não carrega.
Amap ou Baidu Maps. Os dois são excelentes. O Apple Maps funciona com dados locais licenciados e é uma alternativa razoável em inglês, embora traga menos detalhes de transporte público.
Sem máquina de bilhete, cartão nem fila: você aproxima o celular do leitor e a catraca abre. Quando funciona, é um transporte público muito prático. Quando não funciona, você fica na barreira, com uma fila se formando atrás, tentando entender o erro.
O Alipay tem um código de transporte que funciona em muitas cidades. A maioria também tem seu próprio app de metrô, com outro código. Onde os dois funcionam, use o que preferir. Onde só o app local é aceito, o Alipay será recusado sem explicação.
Os hospitais chineses costumam ser rápidos, competentes e baratos em comparação com os ocidentais. Quase toda dificuldade de um visitante é de procedimento: não conhecer a ordem das etapas e presumir que funciona como em casa.
Você não se cadastra num consultório local nem tem um médico que já conhece seu histórico. Para problemas comuns, vai ao ambulatório de um hospital, escolhe a especialidade por conta própria e marca um horário.
A paisagem é tão bonita quanto nas fotos. O que elas não mostram é que esses lugares têm administração, limite de visitantes, venda de ingressos e uma rede de ônibus internos. Chegar sem reserva a uma montanha famosa em agosto pode significar admirá-la do estacionamento.
A maioria das grandes áreas turísticas exige reserva para um dia determinado, feita num miniprograma ou no app do próprio local. As mais procuradas esgotam com dias de antecedência no verão e nos feriados.
Duas coisas que parecem contraditórias: um nome chinês não é obrigatório para absolutamente nada, e muita gente que fica mais de algumas semanas acaba adotando um. Ele simplesmente facilita bastante o dia a dia.
Tudo o que se refere à sua identidade deve trazer seu nome exatamente como aparece no passaporte: vistos, voos, passagens de trem, verificação bancária e registro na polícia. Um nome chinês não tem validade nesses casos. Usá-lo cria problemas em vez de resolver.
Entenda isso logo: o WeChat não é só mais um mensageiro. Ele é a base da vida social. Quem não está ali não está apenas um pouco atrasado; está fora do que acontece.
No fim da primeira conversa, vocês escaneiam o QR um do outro, de celular para celular. Leva dois segundos, não exige digitação e substitui tanto o número quanto o e-mail. Descubra onde fica seu próprio código antes de alguém pedir. É um pequeno constrangimento fácil de evitar.
O DiDi é o jeito habitual de chamar um carro. Existem táxis na rua, mas dão mais trabalho: explicar um destino em voz alta a alguém que não fala seu idioma costuma ser mais difícil que digitá-lo.
O cadastro precisa de um código por SMS. A saída do aeroporto à meia-noite é um péssimo lugar para descobrir isso. Cadastre o cartão na mesma hora. Como era de esperar, o formulário do cartão é uma das telas que continuam em chinês.
Esse erro pode encerrar seus planos no balcão da locadora. A China continental não reconhece a Permissão Internacional para Dirigir. Não é preferência por outro documento: ela não é reconhecida porque o país não participa da convenção que a criou.
Aquele documento que você tirou com tanto cuidado justamente para a viagem não serve no balcão. E a pessoa que dá a notícia já explicou isso cem vezes.